O Teatro do Incêndio promove, entre os dias 11 de maio e 8 de junho, cinco encontros sobre cultura popular, finalizando a programação das Rodas de Conversa - A Gente Submersa, sempre às sextas, às 20h, com entrada gratuita.

Créditos: divulgação

Samba de Bumbo do Cururuquara é um dos temas das rodas sobre cultura popular

O destaque fica para as duas últimas rodas, que acontecem nos dias 1º e 8 de junho, respectivamente, com o grupo Moçambique Cambaiá (de São Benedito de Cruzeiro/SP), liderado pelo mestre Silvio Antônio, que apresenta vivência sobre o Moçambique de Bastão; e com o Samba de Bumbo do Cururuquara, formado por descendentes de escravos que habitavam o bairro Cururuquara, em Santana de Parnaíba.

As Rodas de Conversa - A Gente Submersa vem reunindo, desde março de 2017, mestres da cultura popular e comunidades tradicionais do estado de São Paulo em bate-papos seguidos por vivências. Confira a programação completa:

  • 11 de maio – Orgulho Caipira

Tema: Causos e Modas de Viola

Com nome autoexplicativo, o Orgulho Caipira é oriundo de Lagoinha, interior de São Paulo. Fundado por Amarildo Pereira Marcos, há 17 anos, seu objetivo é festejar e preservar a cultura da roça, compartilhando cantorias e danças de tradições como Folia de Reis, Catira e Festa do Divino Espírito Santo. O grupo tem a nobre missão de afirmar a cultura caipira como um importante bem cultural brasileiro. A formação musical do Orgulho Caipira tem violão, viola, sanfona, contrabaixo e percussão, além de participação dos dançarinos com as tradicionais roupas coloridas das festas caipiras. Nesta roda de conversa, o mestre Amarildo - que é conhecido em todo Vale do Paraíba como um grande caipira festeiro - vai prosear, falar dos causos e tocar viola, mostrando as tradicionais modas ‘dança do sabão’ e ‘dança do caranguejo’.

  • 18 de maio - Pau e Corda Kuatá de Carimbó

Tema: Carimbó Tradicional

O grupo de Pau e Corda Kuatá de Carimbó, integrante do Movimento de Carimbó do Oeste do Pará - que fez parte da luta pelo reconhecimento do Carimbó como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo IPHAN em 2014 – faz o pré-lançamento de seu primeiro EP com três músicas. Criado em 2010, na Vila de Alter do Chão (PA), coração da Amazônia, o Kuatá faz um carimbó tradicional e tem como referência os Mestres Verequete, Lucindo, Chico Braga, Chico Malta e Grupo Espanta-Cão. Acompanhados pelos dançarinos Sandra e Hinho Moreno, os integrantes do Kuatá mostram músicas autorais e clássicos do carimbó que ganham versão em pau e corda. O grupo mostra também os ritmos curimbó e marambiré, tradicionais da Festa do Çairé, na Vila de Alter do Chão.

  • 25 de maio - Fandango de Tamanco de Ribeirão Grande

Tema: Fandango de Tamanco

Existem vários tipos de fandangos: de chinela, tropeiro, catira e cateretê, entre outros. O Fandango de Tamanco de Ribeirão Grande é uma importante tradição existente no Brasil, cuja dança é executada usando tamancos de madeira, especialmente para emitir uma rica e contagiante sonoridade. O termo fandango designa uma série de danças populares. No encerramento de mutirões, em festas e outras ocasiões em todo o Brasil, executam-se as mais variadas danças. Essa modalidade - de tamanco - é dançada só por homens, com seus sapateados e palmeados. É a versão masculina do fandango. Sem os bailados, entremeando os fortes sapateados e palmeados com os queromanas, as modas relatam aspectos da vida rural, com possibilidades para improvisos. O acompanhamento se dá com pé-de-bode (sanfona de oito baixos) e/ou violas.

  • 1º de junho – Moçambique de Cambaiá

Tema: Maçambique de Bastão
O mestre Silvio Antônio, do Moçambique Cambaiá, fala sobre sua tradicional arte e comanda roda de conversa sobre o Maçambique de Bastão. Formado em 1998, o grupo Cambaiá pode ser considerado a segunda formação da antiga Companhia de Moçambique de São Benedito de Cruzeiro, Vale do Paraíba, datada de 1947. Silvio Antônio de Oliveira é o atual líder, sendo a segunda geração no comando, iniciada por seu pai José Alves de Oliveira. A dança do moçambique é uma dança tradicional folclórica de caráter religioso, muito presente no Vale do Paraíba. Apresenta-se por meio de coreografias realizadas com manejo de bastão e figurações de simulação guerreira. O grupo atual conta com cerca de 20 componentes, distribuídos nos papéis tradicionais: mestre, contramestre, soldado, cacheiro, rainha e meirio. É uma manifestação tipicamente percussiva. Ao ritmo das caixinhas – o sambado, a marcha - os dançarinos fazem manejos sincronizados dos bastões nos entrechoques. E e o tinir dos guizos ou paiás, presos às pernas dos dançantes, dão um som característico ao bailado.

  • 8 de junho - Samba de Bumbo do Cururuquara

Tema: Samba de Bumbo

Samba de Bumbo do Cururuquara -divulgação -bb.jpgO grupo de Samba de Bumbo do Cururuquara é formado pelos descendentes de escravos que habitavam o bairro Cururuquara, localizado a 15 quilômetros do centro de Santana de Parnaíba (SP). De acordo com estudiosos dessa cultura, o samba de bumbo ou samba rural paulista nasceu nas fazendas cafeeiras do Vale do Paraíba e do Oeste Paulista e foi levado para Santana de Parnaíba, que fica a 35 km da capital paulista, pelos negros que migraram para essa região. Em Santana de Parnaíba, a notícia mais longínqua que se tem do samba de bumbo é, de acordo com a memória oral, a festa realizada para comemorar a abolição da escravidão, em 1888. Nesta ocasião, os negros reuniram-se na Capela de Santa Cruz, no bairro do Cururuquara, atual capela menor de São Benedito, e ali ficaram por quatro dias tocando o samba de bumbo, comemorando a liberdade e uma doação de terras que receberam de um fazendeiro. Na mesma ocasião, os libertos plantaram oito palmeiras, das quais quatro ainda se encontram no local, dando-lhe o nome de Largo das Palmeiras. Esta festa acontece anualmente no bairro. Há alguns anos, esses descendentes perderam suas terras e foram obrigados a deixar o bairro, mas todo ano voltam à Capela dos Escravos para louvar a São Benedito comemorando a libertação.

  • +samba

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Rodas de Conversa: A Gente Submersa

11 Mai
a
08 Jun

De 11/05 a 08/06:  Sextas às 20:00

Teatro do Incêndio
Rua 13 de Maio, 53 Cantinho do Céu São Paulo - SP (11) 2609-3730 / 2609-8561
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