Clementina de Jesus trabalhou como empregada doméstica por 20 anos de sua vida. Seu destino seria como o da maioria dos brasileiros caso seu talento musical não tivesse sido descoberto. Provavelmente, trabalharia até o corpo não poder mais, sem nunca conquistar uma velhice confortável.

A voz inconfundível - rouca, grave e rasgada - não trouxe uma fortuna para Clementina. No entanto, deu-lhe a chance de gravar mais de cem músicas e participar de discos de outros artistas, além de ser considerada uma das principais intérpretes do Brasil. Ela teve a oportunidade de brilhar tardiamente, aos 63 anos.

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Crédito da imagem: divulgação/ Editora Civilização Brasileira Record

Clementina de Jesus

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Crédito da imagem: Ronaldo Theobald/ CPDOC JB

Clementina e Albino Pé Grande

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Crédito da imagem: Arquivo pessoal

Clementina e Dona Ivone Lara

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Crédito da imagem: divulgação/ Editora Civilização Brasileira Record

Clementina de Jesus

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Crédito da imagem: Funarte/ Foto Carlos - Rosa de Ouro

Clementina de Jesus e o conjunto Os Cinco Crioulos, em 1965

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Aracy Cortês e Clementina no espetáculo Rosa de Ouro, em 1965

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Crédito da imagem: divulgação

Clementina de Jesus e Hermínio Bello de Carvalho

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Crédito da imagem: Ovídio Vieira/Folhapress

Nelson Cavaquinho e Clementina de Jesus

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João Bosco e Clementina de Jesus

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    Clementina de Jesus

  • Crédito da imagem: Ronaldo Theobald/ CPDOC JB

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    Clementina e Albino Pé Grande

  • Crédito da imagem: Arquivo pessoal

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    Clementina e Dona Ivone Lara

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    Clementina de Jesus

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    Clementina de Jesus e o conjunto Os Cinco Crioulos, em 1965

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    Aracy Cortês e Clementina no espetáculo Rosa de Ouro, em 1965

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    Clementina de Jesus e Hermínio Bello de Carvalho

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    Nelson Cavaquinho e Clementina de Jesus

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    João Bosco e Clementina de Jesus

Nascida na cidade de Valença, sul do estado do Rio, tradicional reduto de jongueiros, Clementina era filha da parteira Amélia de Jesus dos Santos e de Paulo Batista dos Santos, capoeira e violeiro da região. A pequena Quelé viveu a infância escutando sua mãe cantar enquanto lavava as roupas à beira do rio. Assim foi guardando na memória tesouros que mais tarde gravaria em discos.

Ainda criança, Clementina muda-se com a família para o bairro de Oswaldo Cruz, berço da Escola de Samba Portela.

De integrante do grupo Folia de Reis de seu João Cartolinha, em 1908, à ensaiadora do grupo de pastoras de Heitor dos Prazeres, a jovem Clementina começa colecionar histórias e vivências com grandes bambas como Paulo da Portela, Claudionor e Ismael Silva.

Em 1938, conhece Albino Pé Grande, seu futuro marido e morador do Morro de Mangueira, e começa a estreitar laços com a Estação Primeira. Ao longo destes anos, Clementina trabalhou como cozinheira, lavadeira e empregada doméstica.

A carreira profissional de Clementina como cantora começou aos 63 anos após o seu encontro com o produtor e compositor Herminio Bello de Carvalho na festa da Penha, em 1963, quando ela cantava na Taberna da Glória. Hermínio ficou fascinado pela sambista e quando a reencontrou, na inauguração do Zicartola - restaurante fundado por Dona Zica e Cartola -, a convidou para o espetáculo "Rosa de Ouro", em 1965.

Participavam do show, além de Clementina de Jesus e Aracy Côrtes, os bambas - ainda jovens - Anescarzinho do Salgueiro, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento e Paulinho da Viola, formando o conjunto Os Cinco Crioulos. Em 1966, a cantora grava seu primeiro disco homônimo, com produção de Hermínio.

Nos anos seguintes participa dos discos "Mudando de conversa", "Fala Mangueira!" e "Gente da Antiga", este último, ao lado de João da Baiana e Pixinguinha.

Ouça o álbum "Gente da Antiga": 

Em 1982, Clementina, Geraldo Filme e Tia Doca gravam o disco "O Canto dos Escravos", apoiados em memórias sonoras chamadas vissungos - uma forma de cantiga de trabalho herdada dos negros benguelas - recolhidas pelo historiador Aires da Mata Machado Filho em São João da Chapada, município de Diamantina, em Minas Gerais, que insere 14 cantos dos escravizados mineiros do século 18 à cena musical contemporânea.

Há 31 anos, esta lenda da música popular brasileira morreu, deixando como legado a tradição oral que trouxe para o samba. Com um canto quase falado, criou uma linguagem contemporânea para abordar elementos da cultura africana que ecoam até hoje, anos depois de sua primeira aparição pública como cantora.

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