O Carnaval, que acabaria por se converter na maior festa popular do país, chegou ao Brasil no século 17 pelos portugueses. Chamado de "entrudo", era uma brincadeira na qual as pessoas atiravam bexigas com água e farinha uma nas outras. No fim do século 19, surgem as sociedades carnavalescas como os cordões, os blocos e os corsos, que desfilam, dançam e cantam.

Em 1899, Chiquinha Gongaza pôde ver da sua casa localizada no Andaraí, no Rio de Janeiro imperial, as evoluções do Cordão Rosa de Ouro. Inspirada pelos requebros e contorções dos figurantes do cordão, Chiquinha senta-se ao piano e compõe aquela que seria a sua mais célebre criação, "Ô Abre Alas", a primeira marcha-rancho carnavalesca que se tem notícia.

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Crédito da imagem: Chiquinha Gonzaga: uma história de vida, por Edinha Diniz, 2009.

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Nascida no dia 17 de outubro de 1847, Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, foi a primeira pianista de choro, autora da primeira marcha-rancho carnavalesca que se tem notícia, e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Filha da escrava alforriada, Rosa Maria Neves de Lima, e do general do Exército Imperial Brasileiro, José Basileu Gonzaga, ela foi a primeira mulher a se impor ao mundo musical e político, tão masculinos na época, e disseminou essas conquistas por todo o país.

Apesar da família não ter grandes condições financeiras, Chiquinha Gonzaga foi educada pelos professores mais gabaritados do Rio de Janeiro da época. Estudou latim, francês e música com o Maestro Lobo e frequentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África que eram comuns nas rodas dos escravos.

Casou-se aos 16 anos por imposição familiar, mas, cinco anos depois, deixou o marido que a oprimia e pôde então, dedicar-se plenamente à sua grande paixão: a música.

Em 1867, reencontra um namorado de juventude, o engenheiro João Batista de Carvalho, com quem teve mais uma filha. Viveram muitos anos juntos, mas Chiquinha não aceitava suas traições e opta pela separação.

Enfrentando uma sociedade patriarcal e escravocrata - que ainda não tinha o divórcio legalizado -, Chiquinha perdeu a guarda de seus filhos quando se separou, em ambos os casamentos. Foi-lhe permitido apenas ficar com o filho mais velho.

A história pessoal de Chiquinha, marcada pelo desejo e emancipação feminina e pelo sofrimento derivado dessa discriminação, incidiu sobre a escolha profissional dela ao se tornar musicista independente, dando aulas de piano e fazendo apresentações em bailes.

Tornou-se, então, uma frequentadora do universo musical carioca colaborando no período do nascimento do choro e foi grande amiga de Joaquim Antônio da Silva Callado, que lhe dedicou a polca “Querida Por Todos”.

Seu trabalho como compositora ficou marcado pela constante aproximação do piano ao gosto popular. Sua primeira composição de sucesso foi a polca "Atraente", editada em 1877. Nascida de uma roda na casa do compositor Henrique Alves de Mesquita, "Atraente" se tornou um clássico da música instrumental brasileira, passando a integrar o grande repertório do choro.

Escute a polca "Atraente", de Chiquinha Gonzaga:

Chiquinha deu aulas de piano, canto, português, francês, história e geografia, sendo a primeira mulher a reger a Banda da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em 1885. Quatro anos mais tarde, ela regeu, no Imperial Teatro São Pedro de Alcântara, um original concerto de violões, promovendo o instrumento que, na época, ainda estigmatizado.

Trabalhou também musicando peças de teatro de revista e em 1917, funda a primeira sociedade protetora e arrecadadora de direitos autorais do país, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT).

Grande adepta do abolicionismo e do movimento republicano, num período em que a política não era assunto de mulher, Chiquinha costumava vender suas partituras de porta em porta para comprar a alforria de escravos. Também fez campanha em prol do sufrágio feminino.

A marcha de Carnaval “Ó Abre Alas” é a composição mais famosa de um total de mais de 250 títulos de gêneros variados, tais como polcas, valsas, fados, habaneras, tangos, lundus e até música sacra.

Em seus 88 anos de vida, Chiquinha Gonzaga consagrou-se como uma peça fundamental na gênese da música popular urbana no Rio de Janeiro no final do século 19. Além de ter produzido uma obra vasta como ninguém em seu tempo, a artista se inseriu politicamente e rompeu com diversos padrões esperados para as mulheres do período.

Com informações do livro "Chiquinha Gonzaga: uma história de vida", de Edinha Diniz.

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